Cassandra Wilson, cantora de jazz ganhadora de Grammy, morre aos 70 anos

Cassandra Wilson canta ao ser introduzida no Hall da Fama dos Compositores, em Nova York, em 2017 Evan Agostini/Invision/AP Cassandra Wilson, cantora, composito...

Cassandra Wilson, cantora de jazz ganhadora de Grammy, morre aos 70 anos
Cassandra Wilson, cantora de jazz ganhadora de Grammy, morre aos 70 anos (Foto: Reprodução)

Cassandra Wilson canta ao ser introduzida no Hall da Fama dos Compositores, em Nova York, em 2017 Evan Agostini/Invision/AP Cassandra Wilson, cantora, compositora e produtora de jazz vencedora de dois prêmios Grammy, morreu aos 70 anos, nesta terça-feira (1º), nos Estados Unidos. A notícia foi divulgada pelo legista do condado de Hinds, Jeramiah Howard. Eleita a melhor cantora dos Estados Unidos pela revista "Time" em 2001, Wilson ficou mais conhecida por sua voz que desafiava gêneros musicais, expandindo as fronteiras do jazz tradicional, nascido no blues, e transitando com naturalidade por folk, pop, R&B, country e além. No centro de toda a sua obra estava seu contralto idiossincrático, uma sonoridade expressiva e profundamente ligada às suas raízes. "É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Cassandra Wilson, lendária artista de jazz e vencedora do Grammy. Cassandra Wilson partiu em paz em sua casa, cercada pela família, amigos próximos e seu empresário", afirmou um comunicado divulgado por seu empresário à rádio de jazz WBGO. De Jackson para o mundo Nascida e criada em Jackson, filha do músico Herman B. Fowlkes e da professora Mary Fowlkes, Wilson demonstrou paixão precoce pela música ouvindo Motown, Miles Davis e Thelonious Monk. Aos 6 anos, começou as aulas de piano. Tocou clarinete em bandas marciais. Apresentou-se em cafés e em bandas de covers enquanto cursava o Millsaps College e a Jackson State University. No início dos anos 1980, teve como mentores grandes nomes do jazz em Nova Orleans antes de se mudar para Nova York e se juntar ao M-Base Collective, de Steve Coleman — tornando-se, com o tempo, sua vocalista principal. Sua voz inconfundível lhe rendeu quatro indicações ao Grammy e duas vitórias na categoria de melhor álbum de jazz vocal: em 1997, por New Moon Daughter, e em 2009, por Loverly. Em 2015, coube a Wilson realizar um concerto especial no célebre Apollo Theater para comemorar o centenário da cantora de blues Billie Holiday, a lendária vocalista norte-americana de jazz que morreu em Nova York aos 44 anos. Naquele mesmo ano, Wilson lançou seu último álbum, Coming Forth by Day, uma homenagem a Holiday. Em 2022, Wilson foi nomeada Jazz Master pelo National Endowment for the Arts, uma das maiores honrarias concedidas a músicos de jazz nos Estados Unidos. Homenagens se multiplicam “Ela tinha um timbre vocal e um fraseado inconfundíveis, e sua abordagem de entrelaçar música folclórica, R&B e diáspora a gêneros experimentais e populares teve um impacto enorme sobre mim”, disse Batiste em sua homenagem a Wilson no Instagram. “Sua herança do Mississippi sempre esteve presente em tudo, não importava o quanto sua arte se expandisse”, escreveu ele na legenda de um vídeo que mostra os dois juntos na TV brasileira em 2009. “Ela foi uma das primeiras pessoas a me levar em turnê pelo mundo, a grande Cassandra Wilson.” O prefeito de Jackson, John Horhn, declarou que a cidade “perdeu uma filha extraordinária da terra, e o mundo perdeu uma voz musical singular”. “Cassandra Wilson levou o som, o espírito e a história do Mississippi aonde quer que sua música chegasse”, afirmou o comunicado do prefeito, compartilhado com a emissora WJTV. “Sua obra tinha uma profundidade de caráter rara e uma compreensão profunda de como a música comove as pessoas, conta histórias e conecta gerações.”