Condenação da Live Nation por monopólio expõe funcionário que chamou fãs de 'estúpidos' por pagar preços 'absurdos' por shows

Logos da Live Nation Entertainment e da Ticketmaster. Montagem de 23 de maio de 2024. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration Um júri nos EUA concluiu nesta quarta-fei...

Condenação da Live Nation por monopólio expõe funcionário que chamou fãs de 'estúpidos' por pagar preços 'absurdos' por shows
Condenação da Live Nation por monopólio expõe funcionário que chamou fãs de 'estúpidos' por pagar preços 'absurdos' por shows (Foto: Reprodução)

Logos da Live Nation Entertainment e da Ticketmaster. Montagem de 23 de maio de 2024. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration Um júri nos EUA concluiu nesta quarta-feira (15) que a gigante de shows Live Nation e sua subsidiária Ticketmaster mantinham um monopólio prejudicial sobre grandes casas de espetáculo. Além disso, o julgamento também trouxe à tona mensagens do agora executivo na área de ingressos, Benjamin Baker, chamando os clientes de “muito estúpidos” e classificando os preços como "absurdos". 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Baker também chegou a dizer que a empresa estava roubando os fãs descaradamente. Em depoimento, ele disse que as mensagens foram “muito imaturas e inaceitáveis”. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O julgamento O julgamento levou ao banco de testemunhas o CEO da Live Nation, Michael Rapino, que foi questionado sobre diversos temas, incluindo o caos na venda de ingressos da turnê de Taylor Swift em 2022. Rapino atribuiu o episódio a um ataque cibernético. A Live Nation Entertainment possui, opera, agenda eventos ou tem participação acionária em centenas de casas de shows. Já a Ticketmaster é considerada a maior plataforma de venda de ingressos do mundo. Advogados das empresas não comentaram imediatamente o veredicto, mas informaram que divulgariam uma nota. A decisão pode custar centenas de milhões de dólares às empresas, apenas considerando a cobrança indevida de US$ 1,72 por ingresso identificada pelo júri em 22 estados. Além disso, podem ser aplicadas multas e outras penalidades. Entre as possíveis medidas está a obrigação de vender parte dos negócios, incluindo arenas e anfiteatros LEIA MAIS: Ticketmaster tem 15 dias para responder MP-SP sobre os custos dos ingressos do BTS O processo civil, inicialmente liderado pelo governo federal dos Estados Unidos, acusava a Live Nation de usar sua influência para sufocar a concorrência — por exemplo, impedindo casas de espetáculo de trabalharem com múltiplas plataformas de venda de ingressos. “Chegou a hora de responsabilizá-los”, disse Kessler em sua argumentação final, classificando a empresa como um “valentão monopolista” que elevou os preços para o público. A Live Nation, por sua vez, nega ser um monopólio e afirma que artistas, equipes esportivas e casas de espetáculo são responsáveis por definir preços e estratégias de venda. Um advogado da empresa argumentou que seu tamanho é resultado de eficiência e esforço. “O sucesso não é contra as leis antitruste nos Estados Unidos”, afirmou o advogado David Marriott SAIBA MAIS: Os shows estão caros demais? Entenda por que valor de ingressos aumentou no Brasil e no mundo A Ticketmaster foi fundada em 1976 e se fundiu com a Live Nation em 2010. Segundo Kessler, a empresa controla hoje cerca de 86% do mercado de shows e 73% do mercado total de eventos ao vivo, incluindo esportes. Ao longo dos anos, a Ticketmaster acumulou críticas de fãs e artistas. Nos anos 1990, a banda Pearl Jam chegou a confrontar a empresa e apresentou uma denúncia antitruste ao Departamento de Justiça dos EUA, que à época não levou o caso adiante. Décadas depois, o Departamento de Justiça — com apoio de dezenas de estados — apresentou a ação atual durante o governo do ex-presidente Joe Biden. Já durante a gestão do presidente Donald Trump, o governo anunciou um acordo para encerrar sua parte no processo. O acordo prevê limites para taxas de serviço em alguns anfiteatros e novas opções de venda de ingressos para promotores e casas de shows, abrindo espaço — sem obrigatoriedade — para concorrentes da Ticketmaster, como SeatGeek e AXS. No entanto, o acerto não exige a separação entre Live Nation e Ticketmaster. Uma parte dos estados aderiu ao acordo, mas mais de 30 decidiram seguir com o julgamento, alegando que as concessões foram insuficientes. A procuradora-geral de Nova Jersey, Jennifer Davenport, afirmou em nota que o veredicto “histórico” confirma que a Live Nation lucrou ilegalmente com seu monopólio por tempo excessivo. “Práticas ilegais e anticompetitivas causaram enormes prejuízos, elevando os preços dos ingressos e dificultando o acesso do público a seus artistas favoritos”, disse. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, classificou a decisão como “uma vitória histórica na proteção da economia e do bolso dos consumidores contra monopólios prejudiciais”. Após a vitória, Kessler evitou detalhar quais medidas os estados vão pedir na próxima fase do processo, que deve incluir novas audiências antes da definição das penalidades. Ainda assim, celebrou o resultado: “É um grande dia para os consumidores. Este caso é uma homenagem aos 34 estados e ao Distrito de Columbia que levaram essa ação adiante”, afirmou. *Com informações da AP.