Marcelo Callado explica a criação de 'Brado', álbum autoral que lançará em março como um 'grito de libertação'
Capa do álbum 'Brado', de Marcelo Callado Arte de Pedro Rocha ♫ NOTÍCIA ♬ Cantor, compositor, instrumentista e produtor musical projetado nacionalmente h...
Capa do álbum 'Brado', de Marcelo Callado Arte de Pedro Rocha ♫ NOTÍCIA ♬ Cantor, compositor, instrumentista e produtor musical projetado nacionalmente há 20 anos como baterista da BandaCê, formada em 2006 por Caetano Veloso, Marcelo Callado lança o álbum “Brado” em 6 de março, pela gravadora Nublu Records, com capa assinada por Pedro Rocha. Gravado a partir de 2024 no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal do artista, com produção musical de Paulo Emmery, “Brado” é o primeiro disco de Callado sem a assinatura do músico na produção. “Dessa vez, eu queria ouvir mais do que falar”, explica o dono do álbum. O álbum foi antecedido pelos singles “Mariola” (2025), “Brado” (2025) e “Casca” (2026), este último lançado já neste ano, em 13 de janeiro. No entender do artista, “Brado” fecha trilogia iniciada há seis anos com a edição do álbum “Saída” em 2020 e continuada em 2022 com o lançamento de “Hiato”, último álbum de estúdio de Callado. Em texto escrito para promover o lançamento de “Brado”, o próprio Callado detalha o processo de criação e gravação desse álbum que, para o artista, representa um “grito de libertação do passado”. Com a palavra, Marcelo Callado: “Não posso começar a falar do álbum “Brado” sem falar de meu encontro com o Paulo Emmery. Conheci Paulo, em 2017 quando ele acompanhava a cantora Laura Lavieri tocando guitarra. De cara nos demos muito bem e construímos aos poucos uma relação de amizade e admiração mútua. Convidei Paulo para tocar em alguns shows meus, primeiro bateria, e depois guitarra, assim como, na época da pandemia, o chamei para gravar em duas faixas do álbum “Saída” (2020) e para mixar uma faixa do álbum “Hiato” (2022). Em ambas, ele fez um trabalho excelente, onde pude confirmar seu talento nato, sua grande sensibilidade musical, e toda sua habilidade técnica tanto em gravar, quanto em produzir. Assim fiz o convite pra que ele tomasse conta da gravação, da produção e da mixagem do disco. De conversa em conversa com Paulo, finalmente em 2024 começamos o processo de gravação de “Brado”. Concordamos que iríamos gravar ao poucos em seu estúdio, que as bases seriam todas levantadas por nós dois apenas, e caso necessitássemos, chamaríamos convidados. Fiz um levantamento das faixas que tinha composto até então. Eram elas “Amiga lua”, “Encanto”, “Casca” (parceria com Guilherme Lirio), “Pisa leve” (parceria com Tori e Domenico Lancellotti) e “Mariola”, essa última ainda só com um esboço de letra. Cinco músicas eram pouco pra um disco, e a pedido de Paulo, dei uma vasculhada em outras faixas arquivadas em velhos HDs e celulares. Nessa empreitada, me lembrei da música “Brado” (parceria com Monique Lima), que já havia sido gravada para o álbum anterior, mas na última hora resolvi não colocá-la no disco. Paulo adorou e resolvemos que iríamos utilizá-la, regravando somente o que fosse preciso. Me lembrei também de duas músicas que amava e que tinha vontade de regravar. Uma era “Cara ou coroa”, parceria minha com Renato Martins, gravada no álbum “Chega de falsas promessas” (2006) da banda Canastra, da qual fui integrante durante anos. A outra era uma música da Nina Becker chamada “Packing to leave” gravada por mim e por ela no disco “Gambito Budapeste” (2012). Essa porém, quando perguntei a Nina se concordaria que eu a regravasse, ela me respondeu que sim, mas que gostaria que eu fizesse uma nova letra em português, pois não curtia tanto a letra antiga em inglês. Assim fiz, e “Packing to leave” se tornou “Entre as estrelas”. Com essas três músicas, já tínhamos oito faixas, mas ainda faltava uma parceria nossa. Paulo me mostrou então “Aquário”, linda canção que ele prontamente gravou violão e voz guia cantando a melodia, para que eu escrevesse a letra. Algum tempo depois, quando já havíamos gravado a instrumentação dela cheguei com a letra pronta e a finalizamos. “Caio”, a música mais emocionante pra mim, surgiu por último, quando já tínhamos fechado todas as gravações e iríamos começar as mixagens. Uma homenagem ao amigo Caio Paiva, falecido em 2023 e que certamente faria, e porque não, fez, parte desse álbum. Em um dia fizemos a base, alguns overdubs e voz. Paulo e Megan Duus gravaram suas guitarras em outro dia e assim terminamos a canção rapidamente. Assim como Megan, participam do disco os músicos Thomas Harres, Eduardo Manso, Antonio Dal Bó e Antonio Fischer Band; além das participações especiais dos coautores Guilherme Lirio e Tori dividindo as vozes comigo e também tocando, em nossas parcerias. Paulo assina, como já mencionei antes, a produção do disco, mas pela primeira vez em um disco meu, eu não assino a produção. Tomei essa decisão pois senti que, dessa vez, eu queria ouvir mais do que falar. Claro que as composições falam um bocado, ou bradam um bocado, mas tinha a necessidade de receber mais do que dar, de tirar da minha mão, um pouco pelo menos, as decisões e o controle sobre os caminho que os processos iriam tomar, tanto sonoramente, quanto do ponto de vista dos arranjos. E Paulo teve minha total confiança para faze-lo, e levar o álbum para onde ele chegou. “Brado” ,de uma maneira geral, é um disco muito importante, pois trata do desfecho de uma trilogia de discos iniciada com o “Saída” e continuada com “Hiato”. Três discos que tratam de uma fase turbulenta, de muita inquietação amorosa, com vários altos e baixos e idas e vindas. O verbo bradar pode ser sinônimo de gritar alto para que todos possam ouvir, e acho que esse disco representa um grito meu de libertação do passado, para que os caminhos possam se abrir para novos trabalhos e amores.”