Silva tem reencontro feliz com público carioca ao fazer o show autoral em que resume e celebra 15 anos de carreira

Silva apresenta no Circo Voador, no Rio de Janeiro (RJ), o show retrospectivo com o qual transita pelo Brasil desde setembro Michelle Castilho / Divulgação Ci...

Silva tem reencontro feliz com público carioca ao fazer o show autoral em que resume e celebra 15 anos de carreira
Silva tem reencontro feliz com público carioca ao fazer o show autoral em que resume e celebra 15 anos de carreira (Foto: Reprodução)

Silva apresenta no Circo Voador, no Rio de Janeiro (RJ), o show retrospectivo com o qual transita pelo Brasil desde setembro Michelle Castilho / Divulgação Circo Voador ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: “Silva canta / Canta Silva” Artista: Silva Data e local: 6 de novembro de 2026 Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Do palco do Circo Voador, Silva fez questão de explicitar várias vezes que amava o público abrigado na pista e nas arquibancadas para assistir na noite de ontem, sexta-feira, 6 de novembro, à estreia carioca de “Silva canta / Canta Silva”, show inteiramente autoral concebido pelo artista capixaba para resumir e celebrar os 15 anos de carreira iniciada com a edição do EP “Silva” em 4 de outubro de 2011. As declarações de amor pareceram sinceras e tinham razão de ser. Afinal, o show marcou o reencontro feliz de Silva com o público carioca que, há dois anos, parecia ter debandado na estreia do show “Encantado” (2024) na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 1º de novembro de 2024. Silva sentiu o baque e, atento aos sinais emitidos pelo público do artista em todo o Brasil, o cantor voltou à leveza pop em “Rolidei” (2026), álbum solar que representou calculado retrocesso em discografia até então pautada por discos mais ambiciosos como “Cinco” (2020) e sobretudo “Encantado” (2024), disco que assustou os fãs que iam atrás do Bloco do Silva ouvir hits da axé music em abordagens mais plácidas. Em trânsito pelo Brasil desde setembro, o show “Silva canta / Canta Silva” não é a turnê de lançamento do álbum “Rolidei”, de cujo repertório o cantor rebobina somente o ska “Deus de batom” (2026) e “Ouvir a maré” (2026), música ambientada na atmosfera marítima e solar do disco. Silva revive músicas antigas, como 'A visita' (2011) e 'Entardecer' (2014), no roteiro do show 'Silva canta / Canta Silva' Michelle Castilho / Divulgação Circo Voador “Silva canta / Canta Silva” é show retrospectivo em que Lúcio Silva de Souza repisa os caminhos autorais que vem seguindo desde 2011 com a criação de repertório autoral composto em parceria com o irmão, Lucas Silva de Souza, com adesões pontuais de parceiros como Criolo e Jorge Drexler, coautores respectivamente de “Soprou” (2020) e “Recomenzar” (2024), canção em espanhol do já mencionado álbum “Encantado”. Fosse apresentado em teatro, o show “Silva canta / Canta Silva” talvez tivesse evidenciado com mais força a linearidade do roteiro. Sob o Circo Voador, a lona mais pop e calorosa do Brasil, essa linearidade se dissolveu face à receptividade habitualmente festiva da plateia do Circo. E o fato é que o roteiro seguido pelo cantor no Circo Voador mostrou como Silva foi migrando do indie pop do primeiro álbum – “Claridão” (2012), gravado com ecos de synth pop e representado no show por “2012”, música que abriu o show após a “Intro” – até chegar ao midstream do mercado da música, fazendo um Carnaval que já havia sido sinalizado em “12 de maio”, música do seminal EP de 2011 ausente do repertório do show “Silva canta / Canta Silva”, mas de certa forma representada pelo axé pop “A cor é rosa” (2018), música alocada no bis por ainda ser a composição mais famosa do artista. Silva toca violão no show em que segue roteiro inteiramente autoral, mas também pilota os teclados e toca violino na música 'A visita' (2011) Michelle Castilho / Divulgação Circo Voador Com Silva se alternando nos teclados e no violão (e eventualmente no violino, como no canto de “A visita”, música do supracitado EP inaugural de 2011) e acompanhado pelo afiado trio formado pelos músicos trio formado pelos músicos Gabriel Ruy (bateria), Hugo Maciel (baixo) e Rômulo Quinelato (guitarra), o artista conseguiu ir de um pagode à beira-mar – “Um pôr do sol na praia” (2019), gravado há sete anos em feat com Ludmilla – até uma canção ambientada em clima de bossa nova, “Duas da tarde” (2018), número que deu tom da música seguinte, “Caju” (2018), mais saborosa com o baticum afro-pop-baiano que a embasou no álbum “Brasileiro” (2018). Se “Fica tudo bem” (2018) também perdeu no show o sabor original da gravação feita por Silva com Anitta, “Palavras no corpo” (2018) sublinhou momento de grande inspiração do compositor, autor da melodia escrita sobre letra do poeta Omar Salomão para ser gravada por ninguém menos do que Gal Costa (1945 – 2022). Que música sensacional! E por falar em grandes cantoras, Silva também reviveu a apaixonada e singela balada que compôs com Marisa Monte, “Totalmente seu” (2021), lançada por Marisa no álbum “Portas” (2021). Música que representou ponto de virada na trajetória de Silva, amealhando um público gay que nunca mais abandonou o artista, “Feliz e ponto” (2015) também foi lembrada no show, com Silva regendo as palmas e as vozes da plateia do Circo Voador. Com pop solar que por vezes tem sabor de Bahia, como a refrescante “Brisa” (2018), Silva conseguiu entreter o público sem precisar pôr o bloco alheio na rua. Uma outra música surtiu pouco efeito na plateia, caso de “Entardecer” (2014), mas, no geral, todo mundo foi feliz no show de Silva no Circo Voador. Feliz e ponto. Silva canta parcerias com Criolo, Marisa Monte e Jorge Drexler no roteiro do show Michelle Castilho / Divulgação Circo Voador