Pepeu Gomes exibe lampejos de inspiração no primeiro disco de músicas inéditas em 25 anos
25/10/2018 21:02 em Música

Mauro Ferreira

 

Por contingências do mercado fonográfico brasileiro, é pouco provável que saia um grande sucesso do repertório essencialmente inédito e autoral apresentado por Pepeu Gomes em Eterno retorno, álbum disponível nos players digitais a partir de hoje, 25 de outubro de 2018.

Mas o cantor, compositor e guitar hero brazuca cumpre a parte dele ao apresentar boa safra de canções compostas com novos e antigos parceiros, incluindo regravação de 99 vezes, parceria com Luiz Galvão lançada há 40 anos pelo grupo Novos Baianos no álbum Farol da Barra(1978).

Single de refrão aliciante que anunciou em 28 de setembro este primeiro álbum de músicas inéditas do artista desde 1993, o tecnopop caribenho Aos poucos – primeira parceria de Pepeu com Nando Reis – já sinalizou um disco com certo vigor.

Embora a inspiração do compositor oscile ao longo das 11 faixas do álbum, Eterno retorno tem saldo positivo e merece atenção inclusive por ser o primeiro disco de músicas inéditas de Pepeu em 25 anos.

 
Capa do álbum 'Eterno retorno', de Pepeu Gomes — Foto: DivulgaçãoCapa do álbum 'Eterno retorno', de Pepeu Gomes — Foto: Divulgação

Capa do álbum 'Eterno retorno', de Pepeu Gomes — Foto: Divulgação

Sim, já faz um quarto de século que o artista renovou o repertório com a edição do álbum Pepeu Gomes (1993), disco que conseguiu emplacar um hit na voz deste eterno novo baiano de 66 anos, Sexy yemanjá(Pepeu Gomes e Tavinho Paes), música amplificada ao ser propagada em escala nacional como tema de abertura do remake da novela Mulheres de areia (TV Globo, 1993).

Ainda que desvalorizado por algumas músicas de reduzido poder de sedução, como Não move nada (Pepeu Gomes e Zélia Duncan), o álbum Eterno retorno procura atualizar o som de Pepeu. Popular nos anos 1980, década em que Pepeu formava com Baby do Brasil uma espécie de casal 20 do pop brasileiro, o som de Pepeu é produto de mix tropical de rock, pop, funk e ritmos latinos.

 

Esse mix é reprocessado pelos produtores Cyro Telles, Filipe Pascual (enteado de Pepeu) e Kevin White com sintetizados sons contemporâneos. Curiosamente, são nas faixas supostamente mais atuais, casos da enfadonha canção Mone (Pepeu Gomes), cujo arranjo combina sintetizadores e a guitarra virtuosa de Pepeu, e do reggaeton Porque eu te amo (Pepeu Gomes, Harold Caribbean e Filipe Pascual), que o retorno de Pepeu soa mais modernoso.

 
Pepeu Gomes faz parcerias com Arnaldo Antunes e Nando Reis no álbum 'Eterno retorno' — Foto: Divulgação / Daryan DornellesPepeu Gomes faz parcerias com Arnaldo Antunes e Nando Reis no álbum 'Eterno retorno' — Foto: Divulgação / Daryan Dornelles

Pepeu Gomes faz parcerias com Arnaldo Antunes e Nando Reis no álbum 'Eterno retorno' — Foto: Divulgação / Daryan Dornelles

Contudo, há lampejos da inspiração de outrora na balada pop latina A paz sonhada (Pepeu Gomes e Ivo Meirelles), em Sexo frágil (Pepeu Gomes e Arnaldo Antunes) – síntese do mix pop tropical de rock e funk que caracteriza parte da obra solo do artista – e em determinadas passagens melódicas de Amor em construção, música que marca a conexão de Pepeu com a banda baiana Vivendo do Ócio, o que explica a pegada roqueira que dá o tom na metade final da faixa, assinada pelo artista com os músicos da banda, com Fábio Trummer e com Tiago Mago.

Parceiro de Pepeu no último grande hit do compositor baiano, Alma(música lançada em 2001 na voz de Zélia Duncan, presente no disco como coautora da já mencionada Não move nada), Arnaldo Antunes comparece como letrista na composição da bela, delicada e desiludida balada Tempestades (assinada também por Leo Casper) – instante nublado de disco geralmente solar – e na já citada Sexo frágil.

 

Outro ex-Titãs, Nando Reis também marca dupla presença no repertório de Eterno retorno. Além de Aos poucos, Nando é o parceiro de Pepeu em Me faz sonhar, típico exemplar do pop positivista de Pepeu.

Como arremata a balada José (Pepeu Gomes e Cyro Teles) ao fim deste álbum gravado sem solos hendrixianos de guitarra, marca do músico, Eterno retorno é disco que propaga fé na vida, no amor e na música, bem ao estilo do artista. E, quanto mais Pepeu Gomes soa fiel a si mesmo, mais o retorno ao disco resulta interessante. (Cotação: * * * 1/2)

 

Portal G1

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