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Caetano Veloso saúda a 'família de inspirações' que gerou show com os filhos

Mauro Ferreira 


Sempre hábil com as palavras, seja quando encadeia versos em letras de música ou quando escreve textos em prosa, Caetano Veloso tomou para si a função de apresentar Ofertório ao vivo, CD e DVD recém-lançados com o registro do show que reúne o cantor, compositor e músico baiano com os filhos Moreno Veloso (de pé na foto de Marcos Hermes), Tom Veloso (à direita) e Zeca Veloso.

No texto, Caetano saúda a "família de inspirações" que gerou o fértil show – ainda em turnê pelo Brasil – e conta a razão de o espetáculo ter ganhado novo título, Ofertório, quando já estava na estrada com o nome Caetano, Moreno, Zeca e Tom Veloso.

Ofertório é também o nome do tema religioso (de beleza capaz de converter até ateus como Caetano) incluído entre as 28 músicas do roteiro. Esse tema foi composto pelo patriarca do show em 1997, a pedido da irmã Mabel Velloso, para a missa em homenagem aos 90 anos da mãe, Claudionor Viana Teles Veloso (1907 – 2012), a Dona Canô, cuja voz matricial ecoa nesse recital que reforça os afetos e o laço musical do clã de origem baiana.

Eis o texto escrito por Caetano Veloso para contextualizar o showcaptado ao vivo em outubro de 2017 em apresentação na cidade de São Paulo (SP):

"Decidimos pôr o título Ofertório no CD/DVD do nosso show (que, até então, era conhecido apenas pela lista dos nossos nomes em ordem de idade e de número de sílabas: Caetano Moreno Zeca Tom - Veloso) quando ele já tinha sido apresentado em temporadas no Rio e em São Paulo, além de uma ida a BH. É que a canção que fiz para a missa de 90 anos de minha mãe toca no cerne do nosso feixe temático: as relações familiares, a família de inspirações que assaltam os quatro modestos mas entusiasmados criadores, a visão total que, como nenhuma outra dimensão do conhecimento, a religião expõe.

Esse canto ritual escrito por mim, que sou o único não-religioso do grupo, ilumina a entrada de Reconvexo, o desaforado brado do Recôncavo Baiano que, no roteiro, vem logo em seguida. Mas também expande seus raios sobre Um passo à frente, de Moreno, Todo homem, de Zeca, Clarão, de Tom, meu Jenipapo absoluto ou Tá escrito de Xande de Pilares - enfim, a todo o repertório do show. Tanto que forçamos impor o novo título ao próprio espetáculo.

Tudo isso foi um sonho meu, acalentado por longo tempo. O show que fiz no Sesc de São Paulo com Moreno em 2006 voltava sempre à minha cabeça. Zeca e Tom se chegando para a música também, imaginei armar um com os três, num modo de estar mais perto deles depois de crescidos. E de clarear - para mim, para eles e para os outros - o sentido da presença de Bethânia e minha, assim como as de Gil e Gal, no cenário da música popular do Brasil. Tom, que vai direto à essência das coisas, logo disse, ao saber do plano, que queria que cantássemos O seu amor, canção de Gil escrita para os Doces Bárbaros.

Na nossa cabeça não tínhamos um "produto" para oferecer. Tratava-se sempre de uma delicada e vulnerável experiência existencial que enfrentamos com alegria e preocupação. A estreia logo nos colocou mais do lado da alegria. Mas continuamos atentos. Agora temos um produto para apresentar. Que nosso grupo semi-amador, mas de alma sofisticada, apareça nessas gravações fiel a seu espírito.

Todo homem, canção de Zeca, tornou-se conhecida e amada por mais de um milhão de pessoas. Nossas apresentações despertam emoções novas em espectadores surpresos. Nossos colegas sentem carinho pelo que veem e ouvem de nós. Esperamos que todas as pessoas que virem e ouvirem, no CD/DVD que se lança agora, possam também se enternecer com nossos sons e imagens. Que nossa aventura familiar contribua com a construção do Brasil." Caetano Veloso


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