Harry Styles (Foto: Divulgação)

One Direction: Temos um vencedor. Harry Styles prova ser o mais talentoso com disco solo classudo; G1 ouviu

Rodrigo Ortega

Justin Timberlake. Robbie Williams. Beyoncé. Michael Jackson. Ricky Martin. Diana Ross. O grande time dos ex-membros de grupos vocais que superaram seus coleguinhas na carreira solo ganha novo nome nesta sexta-feira (12): Harry Styles. Ele lança seu primeiro disco solo, autointitulado, enquanto seu One Direction está em hiato indefinido.

Muita gente vai ressaltar a diferença do som do novo álbum - mais "maduro" - em relação ao pop adolescente do One Direction. É verdade: pouca coisa aqui entraria direto em um álbum da boy band sem um banho de produção. Harry Styles larga os arranjos genéricos e se arrisca em folk ("Sweet creature"), power pop ("Only angel") e rock de arena ("Kiwi").

O primeiro single, "Sign of the times", tem seis minutos que lembram as baladas atormentadas do The Verve e ganhou comparações com David Bowie. Exagero dizer que poderia ser uma música de Bowie? Sim. Mas será que faria bonito como single do Verve ou outra boa banda indie? Faria sim.
Britpop pós-moleque
Mas, por trás da "mudança de roupa" dos arranjos, há algo que se manteve em relação ao antigo grupo. É a melhor coisa do One Direction e, agora, de Harry Styles: o talento natural para melodias. O grupo conseguiu emplacar certo "britpop moleque" no meio da "EDMzação" geral da música adolescente (vide "Olivia", do último disco). Hoje, fica claro quem tinha mais méritos por isso.

O "lalala" de "Carolina", à la Beach Boys e Beatles de "Rubber soul", e "Meet me in the hallway", mais para o folk dos anos 60 como Byrds, tocariam em uma rádio de velharias e você nem saberia que o cara tem 23 anos. E ele faz rock retrô com segurança maior até do que muita banda de sucesso que "redescobriu" a psicodelia dos anos 90 para cá.

Nº 1 Direction

O disco de Harry deixa na poeira o pouco que os outros ex-colegas mostraram até agora - as esquecíveis faixas de Niall Horan e Louis Tomlinson (com Steve Aoki) e as coescritas por Liam Payne (de HomeTown e Cheryl). O concorrente mais forte é Zayn, que saiu definitivamente no grupo e se jogou no R&B alternativo, com boas faixas, mas ainda mais pose que personalidade.
Mas Zayn e Harry têm abordagens opostas. O primeiro renega o tempo de boy band em entrevistas e letras e faz força demais para ser alternativo (e, no fim das contas, parece com mil novos "geniozinhos do R&B" que saem dos EUA todo dia agora). Já Harry deu a seguinte resposta à revista "Rolling Stone", em entrevita ao cineasta Cameron Crowe, sobre o tal "passado pop-teen":


"Quem pode falar que meninas novinhas que gostam de música pop têm um gosto musical pior do que um homem hipster de 30 anos? Você não pode dizer isso (...) Elas são nosso futuro"


Harry não quer contradizer fãs adolescentes, nem se fazer de difícil ou revoltadinho. Só deixa aflorar o gosto por refrãos fortes, agora com menos compromisso com o formato comercial da boy band. Não é 100% autoral: há méritos para Jeff Bhasker, especialista em música palatável com cara espontânea - ele apenas produziu "Uptown funk", de Mark Ronson, e "We are young", do Fun.

Do ponto de vista de marketing, "Harry Styles" pode ser um tiro certo, ao acompanhar o amadurecimento das milhões de fãs que cresceram ouvindo One Direction. Mas pode também ser um tiro n'água, que as fãs identifiquem como algo ultrapassado e fora de moda, que caberia mais na playlist de seus pais e avós. Mas não dá para negar que, musicalmente, está tudo certinho.

Ex-casal 20

A balada "Two ghosts" é a única que poderia ser single 1D sem regravar. Chama ainda mais atenção pela letra que parece ser resposta a "Style", da ex Taylor Swift (as duas músicas citam os lábios vermelhos dela e as camisetas brancas dele). Além disso, fala das "luzes de geladeira" de "All too well' e tem guitarra slide de country rock que lembra o melhor de Taylor da era "Red".
À parte as fofocas sobre o que a música pode dizer sobre o breve romance entre eles, é legal ouvir referências cruzadas entre dois músicos tão jovens e talentosos. "Two ghosts" e sua lembrança de "Style" e "All too well" é das raras coisas atuais que fazem pensar: que época boa para estar vivo.

G1
http://g1.globo.com/musica/noticia/one-direction-temos-um-vencedor-harry-styles-prova-ser-o-mais-talentoso-com-disco-solo-classudo-g1-ouviu.ghtml

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