Créditos das imagens: reproduções das capas de 13 álbuns de Elba Ramalho

Discos da fase em que Elba mais deu alegria ao Brasil ganham reedições

Mauro Ferreira

Após trilogia de álbuns lançados através do selo Epic (da gravadora CBS) entre 1979 e 1981, período em que traduziu no canto rascante a vida seca do sertão nordestino, Elba Ramalho passou a dar alegria ao povo brasileiro. Foi quando a cantora paraibana migrou para a gravadora Ariola, suavizou o tom agreste da voz, e imprimiu acento pop aos ritmos nordestinos do repertório, estourando em todo o Brasil. Essa fase da discografia solo de Elba compreende 13 títulos atualmente pertencentes ao catálogo da Universal Music, gravadora que está relançando os discos em edições digitais posta nas plataformas da web neste mês de maio de 2017, nove anos após iniciar o relançamento desta discografia em CD, projeto de 2009, desativado após as edições dos quatro primeiros títulos do que seria uma coleção.

Precedido pelo sucesso de Bate coração (Cecéu), xote lançado em 1980 pela cantora pernambucana Marinês (1935 – 2007) e regravado por Elba em 1981, o álbum Alegria (Ariola, 1982) detonou a explosão pop de Elba com músicas como Amor com café (1981) – outro petardo pop assinado pela compositora paraibana Mary Maciel Ribeiro, a Cecéu, mulher do compositor Antônio Barros – e o caboclinho Essa alegria (Lula Queiroga, 1981).

Obra-prima dessa fase da discografia da cantora, o álbum Coração brasileiro (Ariola, 1983) consolidou e elevou ainda mais a cotação de Elba no mercado fonográfico. Foi o disco que lançou o frevo Banho de cheiro (Carlos Fernando, 1983) – arranjado por Lincoln Olivetti (1954 – 2015) com tal maestria que o frevo encerraria a partir de então dez entre dez shows desta cantora hábil na apresentação de espetáculos teatrais – e que apresentou a Canção da despedida (Geraldo Vandré e Geraldo Azevedo, 1983) com teclados de César Camargo Mariano. Coração brasileiro também fez bater nas paradas outro hit memorável, Toque de fole (Bastinho Calixto e Ana Paula, 1983), faixa em que a voz da cantora dialogou com as sanfonas de Sivuca (1930 - 2006), Severo e Zé Américo, este também arranjador de outro destaque do repertório, Ai, que saudade de ocê (Vital Farias, 1982).

Lançado em 1984, o álbum Do jeito que a gente gosta (Ariola) já sinalizou desgaste na fórmula pop de Elba, ainda que a música-título e o eletrizante frevo Energia (Lula Queiroga) tenham garantido boas vendas e execuções em rádio. Antenada, Elba mexeu na receita em Fogo na mistura (Ariola, 1985), álbum pautado por fusão de ritmos brasileiros em salutar ação eclipsada pelo sucesso da toada De volta pro aconchego (Dominguinhos e Nando Cordel, 1985), música propagada na trilha da novela-fenômeno Roque Santeiro (TV Globo, 1985) e, desde então, sempre pedida nos shows de Elba.

Sem medo de inovar, a cantora já avisou no título de Remexer – excelente e pouco ouvido álbum de 1986 – que iria dar outra sacudida na fórmula. A canção Chorando e cantando (Geraldo Azevedo e Fausto Nilo, 1986) foi uma das músicas deste disco cuja música-título é parceria de Luiz Caldas e Carlinhos Brown que merece regravação.

Como o álbum Remexer baixou a cotação de Elba no mercado comum da música popular, interferências artísticas da gravadora PolyGram levaram a cantora a lançar álbuns de menor ambição artística como Elba (1987), Fruto (1988) e Popular brasileira (1989), discos pautados por repertório forrozeiro de assimilação mais fácil. Contudo, Popular brasileira gerou um dos antológicos shows teatrais de Elba, feito sob a direção de Jorge Fernando. A ponto de o espetáculo ter gerado o caloroso álbum Elba ao vivo (PolyGram, 1990).

Com fôlego renovado pelo sucesso do show, Elba voltou a mexer na fórmula em Felicidade urgente(PolyGram, 1991), disco produzido por Nelson Motta com ousadias estilísticas que culminaram com gravação de La vie en rose (Edith Piaf, Louiguy e Marguerite Monnot, 1947). Só que o mercado fonográfico brasileiro já dava sinais de que ficaria refratário para estrelas do universo musical de Elba ao longo dos anos 1990, década da consolidação da axé music e do surgimento do pagode com teclados de grupos como Raça Negra e Só pra Contrariar.

Guerreira, Elba seguiu fazendo bons álbuns como Encanto (PolyGram, 1992), disco produzido por Mazzola que merece atenção. Em Devora-me (1993), a cantora foi induzida a adicionar doses de latinidade à obra, mas o disco obteve êxito (bem) aquém do esperado. Tanto que, pela primeira vez desde que estourou, Elba passou um ano (o de 1994) sem lançar álbum.

O confuso álbum Paisagem (PolyGram, 1995) encerrou melancolicamente essa fase da cantora. Contudo, Elba Ramalho é leoa e soube dar (outra) volta por cima ao revolver as próprias raízes no revigorante álbum Leão do Norte (BMG-Ariola, 1996), marco inicial de outra fase da discografia desta artista que, driblando os caprichos da indústria da música, nunca deixou de dar alegria para o povo brasileiro, como valente voz do Nordeste que soube ir além do (riquíssimo) universo musical da região sem jamais renegar as próprias origens.

G1
http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/post/discos-da-fase-em-que-elba-mais-deu-alegria-ao-brasil-ganham-reedicoes.html

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